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Em nossos dias é comum pedirem referências, currículo e informações a respeito de quem busca emprego ou colocação em algum grupo social, como um clube ou uma confraria. Nos concursos, fazem testes psicotécnicos e há até alguns em que a vida pregressa do candidato é investigada.
Quem é você?
O QUE DIZES DE TI MESMO?
Qual é a definição ou descrição que você dá aos outros a respeito de si mesmo?
Quando alguém pergunta ou precisa saber sobre quem você é, que dados ou informações você disponibiliza?
João, o imergidor, conhecido entre nós como o Batista, foi indagado a queima roupa com essa pergunta:
“Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?” (João 1:22)
Em nossos dias é comum pedirem referências, currículo e informações a respeito de quem busca emprego ou colocação em algum grupo social, como um clube ou uma confraria. Nos concursos, fazem testes psicotécnicos e há até alguns em que a vida pregressa do candidato é investigada.
Os líderes não aceitam ter colaboradores que desconheçam a seu redor, assim como os reis nunca se arriscaram em se cercar de desconhecidos. Para estes, não bastam as habilidades; o mais importante é a identidade, o caráter e o comprometimento com a missão da qual se incumbirá seu auxiliar ou seguidor.
Como no tempo de João, às vezes espias são enviados para nos inquirir. Eles nos observam, mas “os enviados” vão direto ao ponto, sem rodeios, querendo saber de nós mesmos quem somos.
As comparações são inevitáveis: - És tu Elias? (Jo 1:21) foi a primeira das perguntas. Todo questionário é assim. Conduzem-nos a comparações em confronto com os paradigmas conhecidos, e os parâmetros são elevados. A ninguém interessa saber se você se parece com um ser comum. Se você chegou até ali, frente a frente com esses pesquisadores que parecem ter o mundo nas mãos, é para ser, no mínimo, alguém que apareceu para brilhar, impactar, fazer diferença, um verdadeiro Elias.
Seguiu-se a esta uma indagação desafiadora e enigmática: - És tu o profeta ? A pergunta não se referia a “um” profeta qualquer, indefinido; buscava-se O profeta. E assim são os diálogos dos inquiridores de sempre. Precisam tais perguntadores de detalhes que correspondam às suas ávidas expectativas de caçadores de novos talentos. Sondam-nos como que procurando uma pepita rara ou a solução de um problema difícil de maneira rápida e eficaz.
Será que você é o tão sonhado salvador da pátria que resolverá as grandes questões da empresa? Ou aquele jogador encontrado em um campo de várzea que trará o hexacampeonato para a torcida brasileira tão esperançosa e exigente ? A nova rainha das passarelas que desfila e vende tudo o que veste ?
Há uma placa na testa dos inquiridores: PRECISA-SE DE ALGO NOVO, SUPREENDENTE E, QUEM SABE, DEFINITIVO. É você? Diga-nos logo: Quem, afinal, é você? A que você veio? O que podemos esperar de ti? Para quê ou em nome de quem ou de qual ideologia você apareceu entre nós?
É como se os inquiridores se apresentassem dizendo: Não somos apenas curiosos. Representamos a massa crítica globalizada, e o mundo precisa de um novo líder com padrão de excelência. Somos formadores de opinião e não buscamos mais um. Queremos “o”. Responda-nos: É VOCÊ O CARA ? Se é, qual é a NOVA ONDA?
No fundo sabemos que não somos a solução, embora em uma situação tão constrangedora possamos ficar tentados a dizer que somos. Deus nos chamou para sermos n’Ele aquele botão que apertado leva ao canal que apresenta ao mundo a programação espetacular: a boa, perfeita e agradável vontade do Todo Poderoso, corporificada e manifestada em Seu filho.
Já sei ! já sei ! Você deve estar se perguntando: Como vou dizer isso às pessoas que me cercam e convecê-las de que a solução está perto, embora ninguém esteja enxergando?
O próprio João nos responde dizendo que devemos continuar a falar desse “Caminho”, embora nossa sensação seja de que somos uma “voz do que clama no deserto”. Mas ele nos lembra também que esse deserto é como um caminho que pode ser endireitado pelo Senhor (Jo 1:23). É Ele, e só Ele, que faz no deserto transbordar rios de águas vivas.
Essa deverá ser nossa resposta sempre, exatamente como Jesus ensinava: Não tenho a solução de mim mesmo, mas sou capaz de testemunhar e viver a solução que o Pai me enviou para revelar. Não são as minhas habilidades ou os meus referenciais e escolhas. Faço minhas opções conforme Ele me ensinou a escolher. Não falo de mim, sou apenas um dublador do Espírito Santo, uma trombeta que dá o alarme.
João nos ensina que não devemos falar como querendo convencer por argumentos humanos. Paulo dizia que a eloqüência não é o meio para convencimento a respeito das coisas de Deus. Quem endireita os caminhos é o próprio Deus. A voz que clama no deserto é aquela muitas vezes desprezada, que aparenta não colher os resultados buscados por seu discurso. Ela não existe para si ou para ser reconhecida como a solução. Ela apenas clama, existe para apontar o caminho, viver o testemunho, suportando o calor, convivendo com a sequidão do deserto, mas sabendo que a fonte não é uma miragem.
João disse: - Eu batizo em água. Nossa voz deve, então, mergulhar as pessoas no rio, cabendo ao Senhor fazê-las de lá ressurgir para a nova vida em Cristo.
E você?
Que dizes de ti mesmo?
Tens levado pessoas do deserto para o rio?
Geraldo Luís Spagno Guimarães
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