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“E também, seus vizinhos de mais perto, até Issacar, Zebulom e Naftali, trouxeram pão sobre jumentos, sobre camelos, sobre mulos e sobre bois, provisões de farinha, pastas de figos, e cachos de passas, e vinho, e azeite, e bois, e gado miúdo em abundância; porque havia regozijo em Israel”.
(I Crônicas 12. 40)
Este é um texto interessante, pois expressa um momento tremendo na vida do povo de Israel e mais especificamente na vida de Davi. Foram mais ou menos vinte e sete anos que Davi precisou esperar, desde o dia em que foi ungido rei de Israel pelo profeta Samuel, até sua posse propriamente dita do reino. E durante este intervalo de tempo, Davi precisou fugir do rei Saul de um lado para o outro, se escondendo para não ser morto. Dentre os esconderijos de Davi, um particularmente foi especial, a caverna de Adulão (I Sm. 22. 1 e 2), pois ali se ajuntaram a ele um bando de homens endividados, amargurados e sem futuro, dos quais era o líder.
Alguns de nós podemos nos identificar com Davi, no momento em que Deus nos entrega um “gigante” na frente de pessoas das quais somos líderes, e pensamos que estamos prontos para enfrentar o desafio e que “gigante” como este não existirá mais. Tenho descoberto que um dos maiores “gigantes” no chamado de alguém, não é aquele que se mata logo no início, mas são aqueles que estão esperando na caverna de Adulão, na monotonia do deserto, etc.
Golias não era o único gigante que Davi precisava matar, havia outros o esperando, e sendo um dos maiores deles a “espera”. Percebo que o “gigante” que tem matado muitos “Davis” em nossos dias é a impaciência. Não temos paciência de esperar o tempo de Deus para que os sonhos que Ele colocou em nossos corações se cumpram. Em nossa ansiedade, acabamos por procurar caminhos que nos levam a resultados rápidos na realização desses sonhos. Davi teve muitas oportunidades para matar Saul, o que lhe proporcionaria ser rei imediato de Israel, uma vez que já tinha sido ungido pelo profeta para tal. Todavia, ele preferiu que os sonhos se cumprissem dentro do tempo que o Senhor determinou. A impaciência pode nos levar a ponto de matar o nosso “Saul”. Deus não chamou Davi para matar Saul, e sim, para ser rei de Israel. Como Saul morreria ou como Davi chegaria ao trono era algo que cabia somente ao Senhor resolver. Muitos ministros hoje acham que foram chamados para matar “Saul” e, por causa disto estão perdendo o precioso. A bíblia diz: “Tudo é precioso a seu tempo”. Existem muitos gigantes à nossa espera, porém, a forma como lidamos com estes determina como vamos caminhar no nosso chamado.
Se você perceber, o versículo acima fala “também seus vizinhos”, Deus honrou Davi não somente entre aqueles que estavam diretamente ligados a ele, porém as pessoas de fora, também reconheceram o que Deus estava fazendo na vida dele. Em outras palavras, o alcance do ministério dele foi maior do que se tivesse matado Saul. Agora cabe uma pergunta: Será que as pessoas o respeitariam como alguém que literalmente Deus levantou se tivesse matado Saul? Você que está lendo este texto precisa entender uma coisa: Deus têm separado muitos nestes dias. Tenho ido a vários lugares nestes últimos anos e percebo uma geração de jovens queimando com um chamado tremendo de Deus. Às vezes, até me assusto com a unção que Deus tem derramado sobre estes jovens. O meu coração fica saltando de alegria quando uma dessas pessoas se aproxima de mim e posso ver que ela está queimando com o chamado do Senhor. Isto é lindo! Mas ao mesmo tempo, tremo, pois sei que cada um deles tem o seu Saul pessoal ou sua Mical (Esposa de Davi que o criticou quando trazia a arca de volta para Jerusalém I Cro. 15. 29).
A forma de lidarmos com nossos “gigantes” define o nível de terra que vamos possuir no nosso chamado. Um exemplo disso que acabo de citar é Calebe, que viu a terra prometida e também viu os gigantes que nela habitavam. Ele creu e não teve dúvidas de que aquela terra seria tomada por Israel. Quando os Israelitas finalmente possuíram a terra de Canaã, foi dado a Calebe, por herança, a posse das terras onde vivia os maiores gigantes, a terra dos Enaquins. (Josué 14. 12)
Deus honrou Davi, porque ele honrou os princípios que foram estabelecidos. O que mais ouço são pessoas criticando seus líderes, e sabe de uma coisa, talvez até alguns tenham razão, como no caso de Davi e do seu líder que tentava matá-lo, fato que não usou como permissão para quebrar o princípio de liderança. Meu conselho para esta geração de jovens é: submetam-se aos seus líderes e deixe Deus te honrar. Talvez você seja empurrado para uma caverna como Davi foi empurrado para a caverna de Adulão devido às circunstâncias que o cercava. Na Bíblia não encontramos relatos que Davi murmurou contra o Senhor ou contra Saul. Isto é bom! É uma postura louvável!
Estou convicto de que esta geração está sendo conhecida pela paixão que possuem pelo Senhor e pela adoração que extravasa o fogo e o zelo pelas coisas do Pai. Esta geração está para ser honrada, porém existem “gigantes” que resistem para que não entremos na terra que nos espera. Quero em breve ouvir no Brasil, relatos como do versículo que dá início a este texto: “... até os vizinhos...”, vieram e reconheceram os filhos de Deus que esperam Nele para realizar os sonhos que Ele colocou em seus corações.
Deus te chamou meu querido? Não desanime com as circunstâncias que te cercam, tenho certeza de que vamos ganhar todas as batalhas, pois, nos últimos capítulos do livro de Apocalipse lemos que a vitória é dos filhos de Deus. Esta é uma garantia que Deus nos dá e que está registrada em sua palavra, a Bíblia. No final nós venceremos! Aleluia! Por isto, diz o apóstolo Paulo: “Não desfalecemos ainda que o nosso homem exterior se corrompa, nós prosseguimos para o prêmio da soberana vocação. Nossa leve e momentânea tribulação não se comparam com a glória que está reservada para nós”. (II Co. 4. 17)
Na primeira parte do texto “Trazendo a Arca I”, falei um pouco sobre o romper na vida de Davi e de como ele foi honrado pelo povo de Israel e pelos povos vizinhos, depois de 27 anos de espera para ser coroado e reconhecido como Rei de Israel.
Em I Crônicas 13:1-3, a história de sucesso continua:
“Consultou Davi os capitães de mil, e os de cem, e todos os príncipes; e disse a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos seus arredores, para que se reúnam conosco; tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; porque nos dias de Saul não nos valemos dela.”
Esse trecho me impressiona mais do que o de I Crônicas 12: 40, do texto anterior onde é relatada a concretização de tudo aquilo que Davi havia sonhado, pois, aqui ele tornou-se rei e conquistou o respeito de todos ao seu redor e a hora era de desfrutar do sucesso e da atenção. Se tivesse que dar um conselho para Davi seria: “Desfrute Davi, pois você merece, você orou, pagou o preço”. Todavia, no meio de todo sucesso, Davi se levanta entre o seu povo e diz: “Vamos buscar a presença do Senhor”, desviado a atenção que estava sobre ele para o Senhor. Era como se estivesse dizendo: “Ainda falta algo”. O sucesso sem a presença de Deus é vazio. Creio que quando Davi tomou esta decisão os céus disseram: “Sim!”. É muito comum em nosso meio corremos atrás do sucesso ministerial ou profissional e, quando as luzes estão sobre nós, não queremos nem nos mover para não atrapalhar o brilho. Davi apontou para outra direção como que dizendo para as luzes irem à direção do Senhor, entendendo que tudo aquilo sem a presença do Pai, sem a arca, era vazio em si mesmo. Então Davi convocou toda a casa de Israel e compartilhou o desejo do seu coração em trazer a arca de volta ao lugar de origem.
Você que está lendo este texto deve estar se perguntando: “Presença de Deus? Davi já tinha a presença”. Um homem só pode adquirir o que Davi adquiriu, com a presença de Deus. Tenho que concordar com você que sem dúvida nenhuma a presença de Deus estava com Davi, mas, ele estava atrás da arca, pois, sabia da intensidade da presença que esta trazia, ou seja, a presença manifesta de Deus, que nos lança no chão, que rompe os céus liberando chuva. A arca simbolizava a presença manifesta de Deus e pelo que eu percebi no capítulo em estudo, Davi precisava de algo mais.
Não sei se você já esteve em alguma reunião (culto) e sentiu alguns arrepios, e tinha a convicção que a presença de Deus estava ali, porém, no seu íntimo tinha a certeza que existia algo mais para ser presenciado. Você pergunta: “Será que tem mais? A pregação foi jóia, o louvor foi gostoso, entretanto, sinto que preciso de mais”. Então continuo clamando por algo do coração do Senhor, preciso de mais intensidade da presença Dele. Se você já se sentiu assim, creio que entende um pouco do coração de Davi.
Deixe-me abrir meu coração: O sucesso ministerial é vazio sem a intensidade da presença de Deus. Às vezes, faço conferências onde centenas de pessoas são tocadas e transformadas, e então quando volto para minha casa ainda continuo querendo mais da presença Dele. Parece que o nosso sucesso está no secreto, quando ninguém está olhando é aí que Ele vem! Oh, Deus! Como quero sua presença! Minha alma anseia por Ti! Quando eu verei a Tua face? Eu anseio por Ti. Irei atrás de Ti, pois, Tu és a minha herança. Preciso de Ti, assim como preciso do ar para respirar! Oh, meu amigo!
Então Davi tomou a decisão certa, em meio ao sucesso queria trazer a arca. Ele não entendia até então o custo que estava envolvido em trazer a arca de volta para Jerusalém (I Cr. 13: 5-14). Davi estava prestes a aprender um dos princípios do reino de Deus mais tremendos: “A obra de Deus é feita da forma de Deus”.
Como eu menciono na primeira parte deste estudo (Trazendo a Arca I) que tudo em nossas vidas tem um tempo determinado de romper, também a obra de Deus tem uma forma certa de ser feita. Por exemplo, se você tem um chamado para ser ministro de adoração, mas, não está disposto a ministrar da maneira que o Senhor te mostrar, infelizmente você não serve, mesmo que o seu chamado seja legítimo, assim como o chamado de Saul era legítimo. Saul obedeceu da maneira dele e foi desaprovado diante de Deus. Davi estava para sentir na pele a dor de fazer a vontade de Deus contaminada com o nosso “jeitinho”. A morte ronda todo ministério que insisti em cumprir o chamado de Deus, ou, trazer a presença de Deus, à sua própria maneira. Davi estava decidido a trazer a arca do Senhor, porém, não procurou saber como. É muito comum recebermos uma visão de Deus e ficarmos tão empolgados que a programamos da maneira que achamos melhor. Posso te dizer que já vi muitas visões legítimas do Senhor, definharem antes mesmo de andar dois metros, simplesmente porque não tinham tempo, nem a preocupação de buscar e pagar o preço para saber como realizar determinada visão.
Às vezes, ficamos tão empolgados com uma visão que Deus nos dá, que esquecemos que “toda visão de Deus aponta pra Deus”. A visão não é nossa, somos apenas mordomos. Davi estava pronto para realizar a visão que queimava em seu coração e todos os líderes de Israel estavam com ele. Todo mundo “comprou a visão”, como muitos de nós costumamos dizer. O fato de todos na congregação ou na liderança estarem com a mesma visão de Deus não é o suficiente, você precisa ser meticuloso no sentido de se perguntar: Como? Como trarei a arca?
“Puseram a arca de Deus em carro novo...” (I Cr. 13:7), se essa frase estivesse em outro contexto eu diria: “Que bênção! Trouxeram a arca em um carro novo!”. Precisamos entender que a intenção do Senhor não é remendar ou colocar remendo novo em pano velho, a intenção Dele é sempre restaurar, fazer como novo. Davi deveria ter feito pelo menos uma pesquisa histórica, pois, assim descobriria que a última vez que a arca veio ao povo de Israel foi sobre um carro novo construído pelos filisteus. Os filisteus era um povo incircunciso, ou seja, fora da aliança de Deus. Precisamos tomar muito cuidado para não trazermos a arca do Senhor da mesma maneira que o mundo. Corro o risco de ofender algumas pessoas ao escrever isto, mas o desejo do meu coração é contribuir para o Reino de Deus.
Suponhamos que você recebeu uma visão para a Igreja que você tem pastoreado, uma visão que começou a incendiar o seu coração, você não agüenta esperar até reunir com os seus líderes e compartilhar com eles o que Deus colocou em seu coração. Assim que você conta a visão, imediatamente eles também se tornam convictos que aquilo veio de Deus e começam a se empolgar, até que um dos líderes se levanta e diz: “_Eu trabalho com marketing, vamos bolar alguns ‘slogans’, fazer camisetas e outdoors, para que esta visão de avivamento se cumpra e pegue como fogo”. Outro se levanta e diz: “_Isto mesmo vamos fazer alguns uniformes como eu fiz na minha empresa e o resultado foi tremendo”, e daí surge outras idéias semelhantes, propaganda na televisão e assim por diante. Todas estas idéias são excelentes, são boas e podem dar certo, entretanto, o ponto não é este. Como que uma visão de Deus pode ser realizada do jeito que achamos melhor e esperar que dê certo? Muitos ministérios estão baseados no marketing ou em outras estratégias como estas, às vezes, se dá mais importância a uma estratégia que herdamos do mundo, do que em uma estratégia gerada em oração, jejum e santificação. Precisamos entender que a arca deve ser conduzida segundo a vontade e maneira de Deus.
Pr.Judson de Oliveira
www.juda.com.br